quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Drogas. O problema vai muito além.


Nunca na história desse país se falou tanto em drogas como atualmente. De fato, o uso das drogas tem tomado proporções assustadoras. No entanto, quando debatido, o assunto é sempre tratado como caso de polícia ou de saúde pública. É notório que no decorrer dos anos o “olhar” da sociedade diante das drogas mudou. Antes, na década de 60, o consumo das drogas era ligado apenas ao ato de experimentar; hoje, as drogas são consumidas. Isso faz toda a diferença, pois nem sempre quem experimenta se torna consumidor. Assim, os “jovens rebeldes” daquela época eram totalmente diferentes dos usuários de crack de hoje. Cabe ressaltar que todas as classes sociais estão envolvidas nesse cenário.

Sempre que a questão é debatida na TV, na internet ou até em rodas de amigos, a comunicação é travada e uma solução para o problema é cada vez mais difícil de ser encontrada. Na verdade, acho que o tema é extremamente amplo para ser reduzido à apenas dois fatores: ou é caso de saúde, em relação aos dependentes químicos ou é caso de segurança pública, no caso do tráfico de drogas. O discurso sempre gira em torno de dois pontos: proibir ou legalizar. Acredito que a realidade em que vivemos vai muito além.

Prova disso é o consumo das drogas lícitas, que também atinge dimensões assustadoras. Conheço pessoas que tomam antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes sem a menor preocupação, receitados de maneira irresponsável por médicos das mais variadas especialidades. É cada vez mais comum ouvir alguém dizer que vai tomar um “rivotril” para relaxar.

Vejo nisso uma busca desenfreada da felicidade. São drogas para dormir, para ficar calmo, para ficar ligado, para perder o apetite e até para aprimorar o desempenho sexual. As pessoas não se permitem mais VIVER. Já que viver, inevitavelmente, inclui tristezas, frustrações, ansiedade e, também, alegrias. Querem controlar tudo, até os próprios sentimentos. Acreditam, erroneamente, que é mais fácil simplesmente não sentir.

Se estão tristes ou ansiosas, é mais fácil tomar um ansiolítico em vez de pensar e tentar solucionar o problema. Se engordam, tomam um remedinho, que sem dúvida, é mais prático do que fazer exercícios e controlar a alimentação. Se estão sem apetite sexual compram um estimulante, pois é mais rápido do que sentar com o parceiro (a) para discutir a relação e descobrir a causa do problema.

O fato é que algumas drogas são vendidas como problema e outras como solução. Mas, afinal, quais drogas causam mais estragos em nossa sociedade? Quem está se prejudicando mais: um viciado em maconha ou um viciado em ansiolíticos? Pergunta difícil de responder. Por isso, acho que essa discussão deve ser mais profunda, menos moralista e hipócrita. Deve ser analisado o que leva os indivíduos a usarem drogas. Não basta reprimi-la ou extingui-la. Não é tão simples assim.

3 comentários:

  1. bom post mas depois de tanta droga, só digo que a punição teria de ser mais cruel pra quem usa. Hoje não é crime se drogar mesmo não passa de mera contravenção.

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  2. Excelente post, Patrícia!
    É muito bom ver pessoas que divulguem diferentes pontos de vista sobre questões tão complicadas.
    Há o lado da saúde e o lado da segurança.
    Há o lado do ilícito, do lícito, e o do falso lícito.
    Cabe aos competentes (todos nós?) fazer o que é preciso em cada área.
    Muito bom.

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  3. Ótimo post Pati. Bem, eu sou das que nunca fui muito a favor das tais drogas lícitas. São drogas e pronto, fazem mal e pronto.
    Já as punições e as medidas a serem tomadas é que são difíceis.

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