quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Por que as pessoas têm tanto medo das marcas?

Essa pergunta me faz pensar em minhas próprias marcas. Acredito que cada um tem uma maneira particular de expressar as marcas deixadas pela vida. No meu caso, as transformo em texto. Alguns as transformam arte. Outros preferem exterminá-las. Quando me refiro às marcas, não estou falando apenas das marcas invisíveis, mas também das expostas, visíveis a olho nu. Mas uma coisa é certa: não há como viver e morrer sem ser marcado pela vida.

E ser marcado pela vida nunca foi tão comum como nos dias atuais. Hoje, qualquer acontecimento fora do programado nos paralisa e transforma-se em catástrofe. Parece que viver se tornou uma experiência traumática. Sendo assim, a única solução seria não viver. Mas acho que o problema não está no trauma e sim no que cada um faz com ele.

O ser humano morre e renasce muitas vezes na vida. Morre a cada frustração e renasce a cada conquista. E nesta época em que quase tudo se transforma em trauma, acho interessante a reflexão sobre o tema. Se pensarmos no trauma como algo que nos marca, que nos mata para que possamos renascer de outro jeito, nossa vida é cheia deles. É ilusória a ideia de que é possível ter uma vida sem marcas no corpo e na alma.

É evidente que alguns acontecimentos nos deixam literalmente sem chão, sem saber por onde recomeçar e de onde tirar forças para continuar vivendo. Mas, mesmo diante destes casos, acredito que não é preciso tentar apagar o inapagável, mas sim tentar fazer algo novo e melhor com esta marca, transformando-a em algo que nos dê força para continuar vivendo.

Acho que uma vida nova só é possível quando contém a anterior e a sua linha divisória. O que nos traz infelicidade é ficar estagnado no trauma, como uma ferida que não se cicatriza. Por isso, o pensamento de que as marcas são prejudiciais ao corpo e à alma, traz dor e sofrimento às pessoas. E não é aquela dor que dá forças para recomeçar, mas aquela que leva o indivíduo a ficar inerte, vendo a vida passar, como mero expectador, que só sabe falar sobre o acontecimento traumático e não consegue tocar a vida.

E como já dizia William Shakespeare: Não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte”.

2 comentários:

  1. bom post, parece reposta pra um post de sexta.
    Continue assim com bons posts.

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