quinta-feira, 31 de março de 2011

Obesidade, diabetes, câncer. Esses males podem ter origem infecciosa

Olá, pessoal!

Como curiosa assumida que sou, estou sempre lendo sobre os mais inusitados assuntos. E em uma dessas minhas leituras encontrei um tema surpreendente e decidi compartilhar. Você sabia que muitas doenças ligadas aos fatores relacionados à genética ou ao estilo de vida inadequado podem ter origem infecciosa?

Exemplo dessa descoberta são as úlceras no estômago, que sempre foram associadas ao estresse. Entretanto, na década de 80, ficou provado que muitos casos são provocados por uma bactéria chamada Helicobacter pylori. Uma pequena dose de antibióticos é tudo o que é necessário para curar a doença.

Hoje, a suspeita estendeu-se para outras doenças que sempre foram ligadas aos vírus e bactérias. É possível que muitos tipos de câncer sejam causados por vírus. Isso porque algumas vezes eles se inserem em nosso DNA e danificam os genes que normalmente impedem as células de se multiplicar descontroladamente.

É claro que a principio a ideia de que doenças como diabetes tipo 1 e obesidade possam ser contraídas tão facilmente quanto um resfriado causa pânico e terror. Mas se pensarmos positivamente é possível ver o lado bom, pois a descoberta levanta a possibilidade animadora de que elas possam um dia vir a ser tratadas com antibióticos ou drogas antivirais. Ou, quem sabe, evitadas com uma vacina.

Vejam as três doenças que podem ser transmitidas por fungos e bactérias:

Obesidade

Muitas pessoas acreditam que a obesidade é fruto apenas de uma alimentação não equilibrada, outras a associam a herança genética. No entanto, existe uma terceira possibilidade: pegar o tipo errado de gripe. No fim da década de 80, o médico Nikhil soube que um vírus das galinhas tinha o efeito colateral inusitado de fazer as aves ficarem obesas. Esse vírus pertencia a um grupo chamado adenovírus, que em humanos é conhecido principalmente por causar resfriados. Dhurandhar investigou se os adenovírus provocar obesidade nos seres humanos. Primeiro ele descobriu que um adenovírus humano chamado Ad-36 poderia fazer animais (galinhas, ratos e saguis) acumular quilos. Depois ele percebeu que 30% das pessoas obesas tinham anticorpos para o Ad-36 (sinal de que elas haviam entrado em contato com o vírus anteriormente). Apenas 4% dos magros tinham esses anticorpos.

Na época a teoria foi motivo de piada. Mas recentemente pesquisadores outros pesquisadores começam a repetir as descobertas. Oito diferentes vírus foram relacionados à obesidade em vários animais. Mas nenhum outro foi observado em humanos.

Mas a pergunta que fica no ar é: como um vírus poderia fazer alguém ganhar peso? Vários mecanismos possíveis foram levantados. O vírus parece tornar o metabolismo mais lento. Também foi demonstrado que ele pode inibir um hormônio do apetite (leptina). Dhurandhar também descobriu que, quando cultivadas em laboratório, células-tronco humanas infectadas com o Ad-36 tendem a se desenvolver como células adiposas.

Mais detalhes:

Micróbio: adenovírus, que normalmente causa resfriados

Como pode ser transmitido: tosse e espirros

Avanços: vacina e droga antiviral em desenvolvimento


Câncer de mama

Os causadores do câncer de mama ainda são um mistério para a ciência. Genes são responsáveis por apenas um de cada dez casos. Talvez uma das possíveis respostas seja o vírus do tumor mamário do camundongo (MMTV na sigla em inglês), que causa a doença nesses animais.

O MMTV foi descoberto na década de 30, e a ligação com câncer em seres humanos foi estudada de modo descontínuo de lá para cá. Em 1995, Beatriz Pogo, especialista em câncer da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, deflagrou enorme interesse quando descobriu parte de um gene do MMTV em 38% dos tumores de mama humanos. A sequência é raramente encontrada em tecido saudável. Isso foi corroborado por Brian Salmons, virologista da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, Áustria, e seus colegas. Eles mostraram que, em laboratório, o vírus pode infectar células mamárias humanas.

Assim como o HIV, o MMTV é um retrovírus. Isso significa que ele se infiltra no DNA do hospedeiro. Outros retrovírus causam câncer porque sua infiltração danifica os genes que controlam a divisão da célula. O MMTV poderia fazer a mesma coisa. A microbiologista Susan Ross, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, tem outra teoria. Ela acredita que uma proteína do MMTV seja a causa direta da multiplicação das células.

Em camundongos, o MMTV se propaga pelo leite materno. Em humanos, não existe ligação entre câncer de mama e amamentação. Em vez disso, parece provável que o MMTV “pule” diretamente dos camundongos para as pessoas. “Humanos vivem em contato próximo com camundongos. A comida processada pode conter material originado em camundongos, como fezes e até pedaços de animais”, afirma.

Micróbio: vírus do tumor mamário do camundongo (MMTV)

Como é transmitido: provavelmente por meio dos camundongos

Avanços: é possível que um dia uma vacina seja desenvolvida


Diabetes

Infecções intestinais para algumas pessoas podem desencadear o diabetes. Quem sofre de diabetes não consegue regular de forma eficiente seus níveis de açúcar no sangue por meio do hormônio insulina. Ele é produzido por células beta no pâncreas. O diabetes tipo 1, que normalmente começa na infância, é uma doença autoimune em que o sistema imune ataca as células beta do próprio corpo. Mas o que dá início a isso?

No caso de diabetes tipo 1, a suspeita recai há muito tempo sobre um grupo de enterovírus chamado coxsackievírus B (CVB). Uma das razões da desconfiança é o fato de que algumas vezes surtos foram seguidos de aumento dos casos de diabetes. Outra observação é que diabéticos diagnosticados há pouco tempo têm maior probabilidade de ter anticorpos contra o vírus.

Tem sido difícil provar que o CVB é o culpado. O intervalo entre a infecção pelo CVB e os sintomas do diabetes pode levar anos. Além disso, os pesquisadores não podem começar a fazer biópsias do pâncreas de crianças apenas para satisfazer sua curiosidade.

No passado, porém, cientistas britânicos apresentaram a evidência mais contundente até o momento. Usando amostras de tecido tiradas do pâncreas de crianças que haviam morrido de diabetes tipo 1 pouco depois do diagnóstico, eles descobriram que mais de 60% tinham uma proteína do CVB em suas células beta. Em comparação, o vírus estava praticamente ausente em um grupo de controle que havia morrido por outras causas.

O que isso significa para o futuro? Uma vacina contra o CVB é uma possibilidade que a companhia farmacêutica Novartis, sediada na Suíça, está pesquisando. A vacina poderia ser dada a crianças com suscetibilidade genética ao diabetes tipo 1, como as que têm histórico familiar da doença.

Micro-organismo: vírus enterovírus coxsackievírus B, mais conhecido por causar diarreia e vômito

Como é transmitido: por meio de comida manuseada sem cuidados de higiene

Avanços: uma vacina está sendo pesquisada

2 comentários:

  1. Eu tenho que me ligar mais na minha saúde já que não vou ao médico desde os 10deidade,rs
    Conhecimento aqui!^^

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  2. Hoje temos tantos vírus e doenças no mundo... Difícil desenvolver um tratamento específico para tantos. Tem de pesquisar muito até conseguir...

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