quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lembra de mim?

Olá, pessoal!

Primeiro, quero me desculpar pela ausência. As últimas duas semanas foram especialmente corridas.

Hoje o tema é a capacidade que temos de marcar a vida dos outros. É claro que todos nós somos inesquecíveis. Mas algumas pessoas teimam em nos esquecer. E nós, estranhamente, também nos esquecemos de muita gente que passa por nossa vida. Se o ser humano fosse menos complexo, esse fato seria perfeitamente aceitável. No entanto, a realidade está distante disso. Não há quem não fique constrangido diante da frase: “Desculpe, mas não me lembro de onde conheço você”. O embaraço simplesmente rouba a cena quando isso acontece, tanto o que esqueceu como o esquecido ficam em situação extremamente constrangedora.

Diante de um olhar familiar num rosto estranho, mergulhamos numa verdadeira fobia social. Em vez de confessar o esquecimento e solucionar o problema, acabamos agindo como idiotas. Sorrimos de forma mecânica, iniciamos uma conversa sem sentido, na esperança de que o cérebro nos salve desse embaraço. Todos nós, pelo menos uma vez na vida, já passou por essa situação.

Mas, afinal, o que realmente nos torna inesquecíveis para alguns e esquecíveis para outros?

Acredito que isso não tem a ver com as características visíveis, como alguma deficiência física, por exemplo. É uma questão de ocasião. Em alguns momentos, estamos tão agitados que o nosso ídolo pode passar despercebido ao nosso lado, sem deixar rastros. Há fases na vida que isso tende a acontecer. Muitas vezes, o desânimo ou mesmo a euforia provocam esse tipo de sensação. Tudo fica mais ou menos igual. Assim, é bem provável que qualquer um que cruze o caminho de alguém neste momento seja colocado imediatamente para fora da memória.

Certa vez, há anos, estava com a minha mãe no supermercado e avistei uma professora, que me deu aula de Português na 5º série, tornando-se uma referência para mim. Foi com ela que tomei gosto pela disciplina. Ela, dona de um domínio impressionante da escrita, eu louca para me tornar metade do que ela era. Jamais me esqueci dela. Sempre a citei quando perguntavam como escolhi ser jornalista. Neste dia, a minha inesquecível professora, uma das fontes inspiradoras na escolha da minha profissão, custou a se lembrar de mim. Eu lá, emocionada, ansiosa por saber como ela estava e querendo apresentá-la à minha mãe, e ela me olhando com um olhar terrivelmente perdido, quase desesperado, eu diria. E a situação que para mim já estava bem embaraçosa, ficou ainda pior. Após uns 10 minutos, depois de tanto eu explicar e relembrar muitos detalhes, ela se lembrou de mim. E o olhar de estranhamento não mudou. O fato é que ela foi importante em minha vida, mas recíproca não era verdadeira. Com isso, passei a pensar sobre as pessoas inesquecíveis e sobre a relatividade disso.

Todos nós somos únicos e consequentemente marcantes. O que acontece é que em alguns momentos esbarramos de maneira tão rápida na vida dos outros, que simplesmente não deixamos marcas. Cabe a nós saber lidar da melhor forma com isso e não levar para o lado pessoal. Se alguém que marcou a sua vida não se lembra de você, releve! Ninguém é obrigado a corresponder as nossas expectativas.