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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Crianças de ontem e hoje!










Oi pessoal, beleza?

É isso aê, Sábado, 12 de fevereiro de 2011, dia de mais uma postagem do ANTENADO!

  Hoje queria falar de um assunto que ás vezes me espanta bastante, o comportamento de algumas crianças e a vida que elas levam. Lembro-me de quando eu era pequena, e ficava feliz com qualquer simples brincadeira inventada de última hora pelos meus pais, meus avós. Brincadeiras que hoje não teriam a menor graça, para essas crianças da ‘atualidade’, mas que naquele tempo me fazia muito feliz.

  Eu sempre fui uma pessoa bem nostálgica, quando eu era pequena, lá pros meus 10, 11 anos, ia para escola com o intuito de rever meus amigos, de estudar, de aprender coisas novas em mais um dia. De fato, sempre fui uma pessoa velha de espírito, e certas vezes de atitudes.

 Amor, carinho, simplicidade, respeito aos mais velhos, solidariedade, o desfrutar das coisas simples da vida, parece não ter espaço na vida da maioria das crianças de hoje em dia.

  Pergunto-me se toda essa coisa boa que eu vivi na minha infância, um dia fará falta na vida destas crianças. Será que um dia elas vão conseguir olhar para vida de uma forma diferente? Será que no futuro, esta geração saberá verdadeiramente o que é amor, o que é ser feliz com coisas simples, o que é sentir-se bem , o que é estar feliz apenas porque ainda temos os nossos pais vivos? Tenho sérias dúvidas.

  Mas a questão de eu estar questionando isso com vocês é que: onde foi parar tudo isso? Digo, eu não vejo mais as crianças brincando na rua como eu via antigamente. Tá, tá certo que os tempos mudam e eu estou envelhecendo... Mas tem algo de errado nisso aí. Tem que ter.

  Cadê a molecada correndo na rua, brincando de pique? As clássicas boladas nos vidros daquela vizinha, Pau na Latinha, Pique esconde, todo mundo dormir na casa de um amigo pra ficar jogando vídeo-game ou brincando de boneca. Cadê as antigas brincadeiras? Onde foi parar tudo isso?

  Porra, eu conheço uma menina de 12 anos que já deve ter beijado mais na boca do que eu e deve ter feito muitas mais coisas que eu! E tipo, com essa idade, a minha única preocupação era ir pra escola, me encontrar com meus amigos e brincar de alguma coisa, e depois apenas tomar minha mamadeira assistindo Teletubbies. kkkkkk’. Sério.

  A questão é: as crianças estão deixando de ser crianças cada vez mais cedo.

  O engraçado de tudo isso é que, quando minha mãe ou até mesmo a minha vó dizia frases que começasse com "ah, no meu tempo não era assim" eu já sabia que vinha história chata e coisa antiga, e nem me dava o direito de ouvir. Agora, pensando bem, elas tinham toda razão. E eu acho que o melhor do viver o hoje, são as lembranças que construímos. Pois as memórias da infância permanecem com você durante todo o caminho de sua vida.




"Queria voltar a ser criança, porque os joelhos ralados curam bem mais rápidos que os corações partidos."

ENTÃO CRIANÇADA, APROVEITA A INFÃNCIA DE VOCÊS, AFINAL VOCÊS AINDA VÃO TER A ADOLESCÊNCIA PRA FAZER TUDO QUE VOCÊS QUEREM FAZER AGORA.

TUDO COMO TEM QUE SER CERTO?

Té a próxima! :*


domingo, 28 de novembro de 2010

Adedooonha!

 
Olá muchachos!
Hoje estou feliz! Minha irmãzinha estava doente, passou 4 dias internada no hospital. Mas hoje ela voltou toda gostosona e me chamando de “Calóu” como sempre. Eu já tava com saudade de ter que ouvir Xuxa.

Criança é uma coisa linda viu! Sabe ser feliz com qualquer coisa. Tudo vira uma brincadeira: uma folha de papel vira um avião, esse avião não é de papel, ele é um avião das forças armadas lutando contra os alienígenas.
Quando eu era criança amava jogar ping pong, talvez porque no ping pong não precisa ser alta pra se dar bem. Mas a gente jogava no asfalto, não tinha a mesa, então riscávamos o chão com aquele giz que pegava da professora no fim da aula, e jogávamos uma espécie de “ping-tênis”.

Lembram do bate-bate?



Era um brinquedo com duas bolas pesadas, parecidas com bolas de sinuca, só que menores. Elas eram penduradas por um cordão de nylon, uma esfera em cada ponta. Ai a brincadeira é que você tinha que conseguir ficar batendo as esferas uma na outra com movimentos mais rápidos possíveis.
O brinquedo era uma febre, todo mundo tinha. Mas machucava a mão que era uma “beleza”, inclusive ouve até uma polêmica por causa disso, e surgiram boatos sobre a proibição do bate-bate. Se proibiram ou não, eu não sei; mas o brinquedo sumiu.

Gente, eu ia pra casa de uma prima só pra jogar Mortal Kombat. Hoje em dia quase não se vê. ÔOo saudade de vencer uma luta usando os poderes da Sindel.
E bambolê? Haa muleque! Passava horas com um bambolê na cintura, e ficava doida tentando girar ele nos pés. Olha só que brincadeira saudável. Volta bambolê, volta!
Eu até colecionava Tazo. Lembra? 



Vinha no salgadinho. Mas eu tinha raiva porque os meninos eram viciados, e sempre tinham mais Tazo’s que eu.
Lembro como se fosse hoje a primeira vez que consegui andar de bicicleta sozinha. Nossa, parecia que eu tava saltando de Asa Delta, uma sensação de liberdade tão ingênua.
E patins? Foi uma luta pra eu aprender, sempre fui uma criança “mole” pra brincadeiras que exigiam esforço físico. Eu aprendi, mas até hoje não sei fazer a tal meia lua.
No dia em que ganhei meu patinete andei tanto que fui dormir chorando de tanta dor nas pernas.
Mas nunca gostei muito de brincar de Barbie, eu gostava mesmo era de montar a casinha. Pegava arroz cru, escondida da minha mãe, e ia colocar nas panelinhas.

E adoleta? A-DO-LE-TÁ! Lepeti peti polá, nescafé com chocolá! Ai que emoção!
Já brincou de “Cai no poço”? Não, não é preciso se jogar em lugar nenhum. É brincadeira de criança quando está entrando na pré-adolescencia. Com os olhos fechados você escolhe uma das pessoas da brincadeira, representadas por números. Depois você escolhe o que quer com ela (ainda sem ver quem é): Pêra (dar as mãos), Uva (um abraço), Maçã (beijo no rosto) e Salada mista (beijo na boca). Meu “primeiro beijo” saiu numa brincadeira dessas, um selinho na verdade, e com quem eu menos queria. Eco!
Toda criança adora jogar queimada, pelo menos nessa meu tamanho ajudava, porque me desviava fácil.
Eu nunca joguei Bete, nem entendo direito, mas sempre via os moleques correndo pra bater na bola com o taco (normalmente um pedaço de pau qualquer), antes que ela chegasse à lata.
E pique alto e pique cola? Sempre gostei dessas brincadeiras de “piques”.

Os meninos eram enlouquecidos com bilocas (bolinhas de gude), e piões. Eu até gostava de jogar biloca, mas não tinha talento.
Mas eu morro de saudade dos Tamagoshis, lembra? 



Aquele trocinho colorido (o meu era amarelo) no qual “vivia” um bichinho virtual, e você tinha que dar comida, banho, e remédio quando adoecia. Quando o meu morria, eu quase morria com ele. Era legal demais! Volta Tamagoshi, volta!

Essa nostalgia toda, é que de repente me deu uma saudade daquele tempo em que 10 centavos davam pra comprar 3 balinhas, e com 10 centavos também dava pra comprar um salgadinho do pequenininho. E a tão amada Pitchula era só 50 centavos.
Êta tempo baum sÔ!

Xero... da Cereja que era viciada em pular amarelinha.

As músicas que eram brincadeiras nesses bons tempos: Brincadeira de criança (Molejo), Bambolê (É o Tchan) e Dig-Dig-Joy (Sandy e Júnior).


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Horror, Oh, O Horror.




horror 

s. m.
1. Sensação de medo que faz arrepiar o cabelo e a pele.
2. Repulsão (por aquilo que reputamos medonho ou horrendo).
3. Coisa horrível.
4. Espetáculo horroroso.
5. Pop. Grande quantidade.

Melhor identidade ever.
Esse post está Lotado de Sujeira visual pesada. Só pra quem tem estômago mesmo. Se você é sequelinha, não abra. Menores de 18 anos, nem sonhem.O escrito está leve, mas as imagens...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Uma nova fase


Uma nova fase. Frase pertinente pra esse jogador de videogame que vos escreve, que já passou de fase tantas vezes, mas pra mim, no geral, é uma frase que combina muito com o momento. Aqui mesmo nesse blog, por exemplo: temos um layout novo; o @Krap avisou que em breve nos deixará, mas também em breve as terças-feiras começarão uma nova fase. Há até informações de fontes seguras(rs) de que o @peein vai começar um novo formato no "Quarta no Quarto"... Enfim,mudanças e renovações acontecem o tempo todo, mas na minha vida parece que tudo resolveu mudar de repente, e ao mesmo tempo.

Com a chegada de Outubro, e das primeiras chuvas da nova estação, o clima mudou e ficou mais ameno. Junto com isso, vieram as eleições, que embora não sejam muita coisa, pra muita gente, é a demonstração mais clara do desejo popular por mudanças. E todos nós acompanhamos o caso dos mineiros soterrados no Chile. A vida de todos eles (e de certa forma da nação chilena) vai ter uma nova fase depois daquele resgate.

Sendo mais intimista, e falando da vida profissional(embora eu não tenha vida profissional): meu curso superior que eu já não gostava muito, mas era ao menos "levável", por assim dizer, tornou-se nesse semestre uma corrrida contra o tempo cansativa, desmotivante, e que infelizmente não posso abandonar. Agora sendo mais intimista ainda... Estou em um relacionamento que antes eu achava ser perfeito, mas depois de uns recentes atritos e percepções, tornou-se... mais que perfeito! Maravilhoso. E estamos numa fase ainda melhor.

E não há nada mais mutavel e constantemente renovável no mundo quanto o conteúdo da internet. O que ontem era trending topic, hoje pode não ser mais relevante, e manter-se atualizado é essencial. E se você tá lendo esse Desentendendo, é por que você é alguém Antenado(pééén!)...

Por isso, Esculhambei os Neurônios(ok, chega de trocadalhos, carilho), e resolvi fazer minha seção acompanhar todas essas mudanças que vem ocorrendo em mim e ao meu redor. Peguei aquilo que gostei de escrever, aquilo que o visitante gostou de ler, juntei com meus posts mais visitados, e aqueles mais comentados, e misturei tudo. Vi também aqueles menos comentados,os menos visitados e tentei encontrar o que tinha de errado. Agora, nada mais de escrever algo chato de escrever, nada sobre o qual ninguém quer saber. Juntei as coisas boas, e tirei as ruins do DESENTENDENDO, sem deixar de lado o que diz minha bio (você devia ler, pois é o meio mais importante de se chegar à quem faz esse blog). E você leitor, comece também uma nova fase: comente. Critique, dê sugestões, xingue, ou simplesmente diga o que vier na mente, mas não deixe de comentar, pois isso é o alimento do blogueiro.
E essa nova fase por aqui começa na semana que vem!

Então, vou terminando meu post como eu fazia antigamente, só pra bater aquela nostalgia. Portanto, siga o clima, siga o Desentendendo, siga o 7cos, e agora mesmo,ligue seu videogame ou se ligue. Comece uma nova fase.

domingo, 26 de setembro de 2010

Extrañando...




Olá muchachos!

“Estou com saudades de voceeeeê, saudades de voceeeeeeeeeê...”.

Ai me empolguei cantando essa.

Esses dias tava escutando uns cd’s antigos, nossa que saudade que eu tava! É por que me ocupo tanto escutando coisas novas, que passo muito tempo sem escutar minhas coisas ‘antigas’. Ô treem bom! Então, desenterrei um cd lá do fundo do meu baú, e escutando as músicas comecei a lembrar do que estava acontecendo naquela época; quem era o amor platônico da vez, quem era a melhor amiga, em que série eu estudava... É engraçado, nostalgia total; mas é bom, algumas coisas dão tanta saudade, outras me fazem ver que foi bom ter acontecido, pra mudar alguns rumos.

“Quem inventou a saudade não conhecia a tristeza”. Eitah frase brega! Uma das milhões de frases bregas que tem em uma das minhas agendas, a mais antiga, de quando eu tinha uns 12 anos.

Mas a frase é verídica, ô coisa pra doer é saudade. Parece que tem um buraco no coração (ain, to emo).

Voltando as agendas: tenho tanta ‘tralha’ guardada. Mas não consigo me livrar, são pedaços de mim (nem sou exagerada). Às vezes dou uma olhada, e acho coisas que amigas minhas escreveram a anoooooos atrás. Da vontade de sair procurando cada uma delas.

Esse post vai estar totalmente emo, vou logo avisando.

Essa semana derramei umas lágrimas de saudade. Coisa raríssima eu chorar assim, normalmente só choro de raiva. Sei lá... Bateu saudade das minhas amigas, do tempo em que passava meus dias com elas, porque estudávamos juntas. Bateu saudade dos amigos que se mudaram, foram morar longe; saudade dos ingratos, que simplesmente sumiram e nem lembram que eu existo. Saudade das amigas que moram longe; é que às vezes se torna difícil manter tudo por internet, abraço faz falta pow! Saudade dos amigos que trabalhavam comigo, e que por ócios do oficio, foram transferidos.

Saudade das risadas escandalosas, da amiga chorona, daquela “do contra”, daquela “você-não-vale-nada-mas-eu-gosto-de-você”...

É amor demais! É amor demais!

Saudade é uma coisa tão doida, que acaba até gerando outros sentimentos; ciúmes, por exemplo. Está lá você, longe do seu amor...
Sente falta, ai começa a pensar, pensa demais claro, imagina coisas, mais algumas coisas, e pimba! “Mas eu me mordo de ciúuuuuume”.

Você quer estar no lugar de quem ta perto, quer saber o que a pessoa ta fazendo... Ai o ciúme bandido fica cutucando a cabeça.

Outra coisa doida é esse tal de ciúme. Parece coisa do ‘cão’ isso.

Tô com saudade de andar de bicicleta, será que eu ainda sei andar? Dizem que isso a gente nunca esquece, espero que seja verdade.

Tô com saudade de assistir desenho. Caraka! Nunca mais vi "O Rei Leão".

Tô com saudade do tempo em que eu não precisava depilar as axilas,
isso bem que podia ter continuado como nos tempos de criança.

Agora eu lembrei dos chiliques que eu dava pra ir ao dentista, kkkkkkkk. Eu fazia um show, me jogava no chão e tudo. Era preciso, ter basicamente 3 pessoas pra me segurar. Eu sempre fui dramática!

Saudade do tempo do Discman, não podia nem balançar que o cd saia do lugar e a música parava.

Saudade de pegar o giz da professora pra desenhar a Amarelinha no chão. E de desenhar um sol ENORME no meio da rua, pro céu ficar ensolarado e fazer a chuva ir embora.

Ooo saudade das temporadas que eu passava na casa da minha prima quando chegavam às férias. Lembro do dia em que assistimos “Chucky, o boneco assassino”, agente fechava o olho o filme inteiro, e depois eu não consegui dormir.

Resumindo... Saudades do tempo em que éramos inocentes.

Sudade do Teatro.

Saudade de ‘colar’ na escola, de todo aquele desespero pra apresentar trabalho, de todos os apelidos feios dos professores... Eitah tempo baum sÔ!

Coisa boa era ouvir música, sem que ninguém ficasse me enchendo o saco e dizendo que aquilo é ruim. Eu comecei falando de música: sabe o que eu tava ouvindo quando comecei a lembrar do que me dá saudade? Sandy e Júnior. “Chuva de prata que cai sem parar, quase me mata de tanto esperar...”. Adoooooooooooooooooooooooorava.

Enfim, sentir saudade de algo, quer dizer que esse ‘algo’ foi bom. As pessoas dizem que só damos valor a certas coisas depois que acabam, depois que perdemos, ou quando sentimos saudade. Saudade dói, mas também faz bem; percebemos o quando algo, ou alguém nos faz falta. Mas o que passou, passou. E agora só podemos lembrar e sentir saudade.

Que tal dar valor enquanto acontece? Pra depois, junto com a saudade vir um orgulho por ter vivido aquilo... Afinal, só sentimos saudades de coisas boas, de pessoas que amamos, das bobagens que nos faziam sorrir.

E você ta sentindo saudade do que agora? De ficar de castigo, ou de fazer xixi na cama?

Xero... da Cereja que espera que você tenha ficado com saudades.

A culpada por eu escrever esse post: Estou com saudades de você (Biquíni Cavadão).


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Infância


Essa semana tive um ataque de nostalgia com uma música que me fez quase entrar em deprê, pois lembra de uma parte muito tensa da minha infância, que não falarei dela aqui, mas quero dividir tal música com vocês, torcendo pra que gostem e tenham uma nostalgia também.



Noite da Arábia - Aladdin

Venho de um lugar
Onde sempre se vê
Uma caravana passar.
Vão cortar sua orelha
Pra mostrar pra você
Como é bárbaro o nosso lar.

Sopram ventos do Leste
E o sol vem do Oeste
Seu camelo quer descansar.
Pode vir e pular
No tapete voar
Noite árabe vai chegar.

A noite da Arábia
E o dia também
É sempre tão quente
Que faz com que a gente se sinta tão bem.
Tem um belo luar
E orgias demais.
Quem se distraír
Pode até cair
Ficar para trás. ♪
Também em Pee in the Dark

sexta-feira, 23 de julho de 2010

É Daví, é? S01E04




Sexta-feira, finalmente chegando ao fim de mais uma semana de trabalho, é dia de dar aquele peteleco no chefe e ir com os amigos pro butequis pra celebrar a chegada do fim de semana... Mas também é dia de DESENTENDENDO! E pra você que não agüenta mais falar do(s) caso(s) do Goleiro Bruno, hoje tem mais um capítulo do stand-up “É Daví, é?”, o stand-up que não é engraçado, mas RELAAAXA... O de hoje realmente não é pra rir, mas é pra curtir uma nostalgia. Lembrando mais uma vez que você pode dar sua sugestão de tema pro stand-up da semana que vem, ali nos comments. Vai lá!

Personagens de ônibus

Um dos posts do @Krap por aqui(Out of control) pedia para as pessoas notarem como é seu comportamento no ônibus. Mas este post aqui pede pra você notar e realmente estudar o próprio ônibus. O ônibus não é só um meio de transporte, é um meio de vida, um clássico do senso comum. Deveria ser matéria obrigatória em qualquer curso de ciências sociais. Analisando a rotina dentro dos ônibus, é possível estudar vários fenômenos da sociedade, graças à seus personagens...

Os primeiros que você vê ao entrar no ônibus(exceto naqueles tão lotados que as portas não fecham) são o motorista e o cobrador. Figuras místicas em seus trajes especiais, são os responsáveis pelo funcionamento e manutenção da harmonia no sistema social. São os representantes também da comunicação entre os passageiros e o sistema, que nesse caso é feita através de gritos, insultos e tapas grosseiros nos dispositivos que abrem as portas. E outra coisa, alguns avisos geralmente dizem:
-Fale ao motorista somente o indispensável
Será mesmo indispensável “avisar” ao motorista que a mãe dele é puta toda vez que o ônibus freia ou acelera ou não para no ponto? Eu hein...

Outro personagem comum em ônibus é “a louca do fone de ouvido”. Geralmente, mulheres que não percebem o quão alto estão seus fones de ouvido, que cantam alto e desafinado e batucam o que tiver pela frente, sem notar que há pessoas constrangidas em volta. Outro que é o contrário da louca do fone é o “playsson do MP3”. É um grupo composto por uma mistura de manos vida loka, com brothers surfistas e muleques-piranha. Não dispensam uma música, mas fazem questão que todos saibam qual é o seu gosto musical. Pelos altos falantes(inacreditável e irritantemente altos) de seus celulares saem hits como “Só os mala que comanda aqui” e “Amassando a latinha”. E quando a música não sai de dispositivos móveis, rola música ao vivo também, por que não? Basta um engarrafamento e uma galera animada pra começarem sucessos como:
-É, é, é, eu acho que o bagulho é de quem tá de pé...
-Toda vez que eu chego em casa a barata da vizinha ta na minha cama...
-Sábado de sol, aluguei um caminhão...
-Atravessando a cidade aproveito para entrar no lava rápido Hot Wheels...

Continuando a galeria de personagens, um muito comum é o encoxador. O terror das coxas das mulheres altas, das costas das baixinhas e dos ombros daquelas que vão sentadas, esse maníaco perigoso é munido de irresistíveis expressões como:
-Deixa eu passar aqui rapidinho, e
-Eu vou descer na próxima
É por causa deles que o índice de fecundidade acidental é altíssima nos ônibus. Só perde em número para bailes funks. Mas os encoxadores são facilmente combatíveis através de cotoveladas e mochilas bem localizadas.

Figurinha carimbada em coletivo é aquele personagem conhecido como o “cara lá de trás”. Geralmente são senhores de meia idade que tiveram enquanto jovens a ambição de se tornarem cobradores, infelizmente não realizada. Talvez sso explica o fato de sempre darem dois tapas na caixa acima da porta toda vez que alguém desce. Nunca se sentam, agem em bandos, e sempre portam pochetes com dinheiro trocado. São eles que soltam aquelas frases que com certeza você já escutou em um ônibus:
-Tá lotado!
-Não se fazem mais cabarés como antigamente, e
-Vai descer aqui ô fila da p***!

Vendedores: nômades comerciários. Sempre entram pela porta de trás para vender geralmente salgados, doces, guloseimas ou canetas e livros de colorir. Possuem vários tipos de estratégia de marketing, como distribuir pedacinhos de cocada, ou fazer discursos apelativos e musicais que pouca gente presta atenção. Mas estranhos de verdade são aquelas pessoas que entram caladas e distribuem papéis contando uma triste história de vida. Você sempre fica sem saber se a pessoa é inteligente que prefere preservar a voz ou se é mesmo surda-muda. Aí quando você faz gestos pra dizer o que quer, se surpreende com a pergunta(e a voz!):
-Tu vai querer é a paçoca ou é o freegells?
O curioso é que nunca se sabe qual é o destino dessas pessoas. Não há registros históricos sobre viagens para casa, ou mesmo de suas casas.

E finalmente, os humoristas. Na sua maioria são nordestinos. E tem três tipos. Existem aqueles pagos, que desde o momento em que entram já começam a fazer imitações de bicha, e se fixam antes da catraca, mexendo com quem sobe no ônibus e principalmente com o cobrador, quem eles dizem sempre serem seus amantes. Suas piadas se resumem sobre diferenças entre pobres e ricos e os diferentes tipos de passageiros das cidades satélites. Existem também os gratuitos, que geralmente são empregados de “firmas”, sempre estão uniformizados, e fazem piadas sobre tudo e todos no ônibus. São stalkers, freetalkers de primeira, falam e gargalham alto, conseguem se comunicar uns com os outros a quilômetros de distância no grito, e são muito participativos em motins e movimentos agressivos populares. E enfim, os mais perigosos, são aqueles que sempre procuram se manter discretos, anotando mentalmente tudo que vêem ao redor, para depois denunciar tudo ao mundo, através de stand-ups sem graça em blogs obscuros da internet. Cuidado...