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sexta-feira, 25 de março de 2011

Twitter. Que efeito essa rede social pode causar nas nossas vidas?

Olá, gente!

Ontem fui ao Brasília Twestival 2011, o maior evento de twitteiros do mundo. Apesar de não ser uma twitteira assídua e não estar presente na maioria das redes sociais, gosto de analisar a maneira como as redes sociais vêm transformando a maneira de as pessoas se relacionarem. Além disso, trabalho com comunicação digital e mídias sociais e, em breve, começo a cursar uma especialização na área. Posso dizer agora, após dois anos de formada, que encontrei um eixo, um foco dentro do Jornalismo. Mas voltando ao evento, confesso que superou minhas expectativas. Uma tarde repleta de palestras ministradas por ótimos profissionais, que passaram ensinamentos essenciais para quem trabalha na área.

Após sair do evento fiquei me perguntando o efeito que as redes sociais podem causar nas nossas vidas, na nossa maneira de pensar e de transmitir as nossas opiniões. No twitter, as opiniões não podem exceder os 140 caracteres estipulados. Em outras redes sociais, como o facebook, o usuário diz que “o que está pensando agora” para os amigos virtuais, que, na maioria das vezes, são meros desconhecidos. Como assim? Como é possível compartilhar tanta intimidade com pessoas que você nem conhece?

Será que após o nascimento do twitter, os twitteiros vão conseguir ler um livro com mais de 100 páginas? Serão que conseguirão transformar em texto seus sentimentos? Será que conseguirão desfrutar do privilégio da privacidade?

Será possível sentir fome, brigar com mãe, estar com sono, com dor de cabeça, com raiva sem precisar antes acessar a rede social e comunicar a todos? Até na lua de mel tem gente que posta. Isso me assusta!

Eu, particularmente, não sei exatamente para que serve o twitter, acho que não existe um significado universal, cada um usa da maneira que quer. De maneira geral, no entanto, as pessoas que acessam as redes sociais querem simplesmente espantar a solidão.

Eu gosto de saber o que estão falando, não posto muito, mas aproveito para exercitar uma das maiores exigências do jornalismo: a objetividade.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Resgate da Dignidade- 2ª PARTE

Olá, pessoal!

Hoje é o dia da 2ª e última parte da narração. Peço que não leiam a 2ª parte antes da 1ª.

Manhã de quarta-feira. Valdir vai trabalhar e se despede da mulher com um beijo. Ela resolve fazer uma surpresa para ele. Vai à feira e compra o peixe mais bonito que encontra. Esse era o prato preferido dele. Volta para casa radiante. Ansiosa, para preparar um delicioso peixe frito. Não queria que nada desse errado, até que dona Rosa aparece e a sessão de tortura começa. A sogra diz a Maria que não adianta ela preparar aquele prato, pois seu filho vai abandoná-la de qualquer maneira. Pergunta se ela não se olha no espelho. Se não enxerga que seu filho só está com ela por pena. “Mais cedo ou mais tarde ele vai criar coragem e te abandonar”, finaliza.

Maria era uma pessoa alegre e carismática. No seu coração, não havia espaço para sentimentos negativos. Procurava perdoar tudo o que lhe faziam de mal. Assim tentou agir com a sogra. Procurou entendê-la. Achava que seu comportamento era motivado pelo ciúme que sentia do filho. Por isso, decidiu que não contaria nada a Valdir. Não queria provocar um atrito entre os dois.

O tempo passou e as humilhações não cessaram.

O brilho no olhar e a doçura de Maria foram se apagando. A moça sonhadora e bondosa foi dando lugar a uma mulher depressiva e amarga. As brigas com seu companheiro tornaram-se freqüentes. A harmonia entre o casal foi sumindo aos poucos. Valdir não entendia a transformação. Nem imaginava que sua mãe era responsável por toda a infelicidade que acompanhava o seu casamento. Quando ia desabafar com a mãe, Rosa dizia a ele que também não entendia a mudança de Maria. Ainda o aconselhava a ter calma, que essa era apenas uma fase.

A moça foi entrando num poço cada vez mais fundo. Sentia-se só e amargurada. Achava que a culpa de tudo era dela. Pois, se fosse magra todos gostariam dela. A depressão foi tomando conta de sua vida. E a vida foi perdendo a graça. A única saída era a morte.

Humilhações. Tentativa de suicídio. Dor. Baixa auto-estima. Angústia. Maria resolve deixar tudo isso para trás. Decide contar toda a verdade ao companheiro e dar uma nova chance ao amor dos dois. A cada declaração, mais perplexo Valdir ficava. Não acreditava que sua própria mãe tivesse lhe traído de maneira tão cruel.

A pedido da esposa resolveu não tirar satisfações com a mãe. Resolveram mudar para um bairro distante, a fim de resgatar a relação de amor e companheirismo que tinham. Dona Rosa, a princípio, foi contra a decisão do casal. Com o tempo percebeu que já não havia o que fazer. A única opção que lhe restou foi aceitar a escolha do filho.

Em pouco tempo, Maria descobriu que estava grávida. Os dois não cabiam em si de tanta felicidade. Passaram a olhar novamente para a mesma direção. Perceberam que o amor que tinha era maior do que qualquer preconceito.

Dona Rosa, com 96 anos, foi vítima de um câncer. Por irônia do destino, foi morar com o casal. Maria mostrou generosidade. Permaneceu ao lado da sogra. Deu-lhe carinho, compaixão e amor até o último minuto de vida. A sogra morreu em seus braços e antes de fechar os olhos disse: “Minha filha, me perdoe por todo o sofrimento que causei a você. Graças a Deus tive a oportunidade de retificar o meu erro em vida”.

Hoje, Maria não se preocupa com o peso a mais, já que isso não representa risco à sua saúde. Quando questionada se não tem vontade de emagrecer e alcançar o peso ideal ela responde: “O peso ideal não existe. Ele se situa naquele ponto da balança em que você olha no espelho e sente-se feliz e em harmonia”.

Os quilinhos a mais da esposa nunca incomodaram Valdir. Ele sempre fez questão de deixar claro que os encantos de Maria a tornam mais bonita e atraente do que qualquer mulher com a silhueta perfeita.

Com três filhos e cinco netos, são exemplos de luta. Os altos e baixos fortaleceram a união do casal.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Resgate da Dignidade


Olá, pessoal!

Plagiando alguns colegas do blog, quero aproveitar este espaço para agradecer as pessoas que comentaram. Quem escreve sabe da importância desse retorno. Fico muito feliz por ter conseguido passar uma mensagem para vocês. E obrigada também aos que não comentaram, mas leram.

Hoje, vou dividir com vocês uma experiência muito enriquecedora que tive há três anos. Durante a faculdade, uma professora muito querida, chamada Ana Paula Ferrari, lançou um desafio: a turma tinha que fazer textos narrativos a respeito do preconceito estético. Feito isso, foram escolhidos quinze textos que seriam lançados em um livro. Eu tive a felicidade de estar entre os alunos escolhidos e ter o meu texto publicado no livro “Beleza à Venda: auto-estima não tem preço”.

Apesar de o tema não ser novo, a cada dia se intensifica e se manifesta de maneira cada vez mais complexa. A imposição de um padrão de beleza prejudica o presente e o futuro das vítimas do preconceito estético que, na maioria das vezes, sofrem caladas.

Com base nisso, segue a primeira parte do texto “Resgate da Dignidade”, que narra a história de uma vítima de preconceito estético no núcleo familiar.

ESSA FOI A ÚLTIMA HUMILHAÇÃO. Maria Paiva* decide por fim a sua angústia. Desce as escadas correndo, procura desesperadamente a caixa de comprimidos. De repente, um cai e ela pensa por um momento em desistir. Mas não! Essa é definitivamente a única saída. Então, engole um por um lentamente. A cada comprimido um pouco de sua dor ia embora.

Enfim, fecha os olhos. Não pela última vez. Ao acordar, as paredes brancas do quarto segam sua visão. Logo, encontrou os olhos de seu amado. Valdir Pires* estava a sua espera. Depois de tanta aflição, ver o despertar de sua amada trouxe de volta a alegria de viver.

Valdir* lembrou do ano anterior, quando conheceu a mulher que seria a mãe de seus filhos. Na ocasião, ela passava na rua acompanhada da irmã dele, imediatamente foi como se aquele olhar tivesse que ser seu para sempre. O jovem policial deu um jeito de se aproximar dela e foram apresentados. Maria mentiu seu nome. Ela se apresentou com Janete, achou que nunca mais veria o rapaz, então não teria problema algum.

Pela força do destino, os dois se encontraram uma, duas, três vezes. Com o tempo, perceberam que suas almas eram uma só. Viveram momentos inesquecíveis juntos. Depois de um ano de namoro, resolveram selar a união. A cerimônia foi singela. Mas repleta de amor.

O conto de fadas logo acabou. O casal construiu uma casa no quintal da mãe de Valdir*, dona Rosalina Pires*. Ela acreditava que seu filho merecia uma mulher magra e mais bonita. Maria não preenchia esses requisitos.

Então, Rosa, como era chamada por todos, começou a perseguir a nora, sem deixar que Valdir percebesse. Tinha receio que o filho fosse contra a sua atitude e a abandonasse para viver com a esposa. Esperava Valdir sair para o trabalho e começava a agredir Maria com palavras.

A continuação dessa história você confere na próxima quinta-feira.

Até lá!


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O que motiva as nossas escolhas?

Dúvida. Essa sensação tomou conta dos meus pensamentos no momento de decidir sobre o que escrever no meu segundo post. Pensei em vários assuntos, mas estava difícil chegar a uma decisão que me agradasse completamente. Até que um acontecimento corriqueiro me fez vislumbrar um tema que sempre me faz refletir muito: Quais as razões que nos levam a tomar as decisões mais importantes da nossa vida?

Na primeira semana deste ano, uma colega me ligou para dar a notícia que havia passado no vestibular para Jornalismo. Radiante com a aprovação, ela me perguntou o que eu achava do ofício e qual a minha visão em relação ao mercado de trabalho. Como estava num daqueles dias em que nada parece bom o suficiente, minha resposta foi instantânea e tola. Respondi “Se você pensa em ganhar muito dinheiro e conquistar algum reconhecimento profissional, desista”. No entanto, como tenho a mente extremamente inquieta e o hábito de refletir sobre tudo o que acontece, o que falei à minha colega me fez pensar sobre o que motiva as escolhas que faço em minha vida. E, afinal, por que decidi ser jornalista?

Basta voltar um pouco e lembrar-me do dia em que me inscrevi no vestibular para chegar à conclusão de que o aspecto financeiro não foi o principal motivador da minha escolha, ou seja, não foi para ficar rica que decidi ser jornalista. Enfrentei muita resistência por parte da minha família, que sonhava com uma carreira mais promissora para mim. Hoje, tenho absoluta certeza de que escolhi o Jornalismo porque tinha PAIXÃO. Sempre quis ver o que estava por trás das cortinas e olhar para onde ninguém estava olhando. O óbvio nunca me atraiu. Sonhava em transformar o mundo e lutar a favor do que considerava certo. E sempre achei que a caneta e o papel eram ferramentas ótimas para isso.

Quando fazemos uma escolha levamos em consideração vários aspectos, mas raramente pensamos sobre quais as reais razões que nos fazem optar por determinados caminhos. Apaixonada pela minha profissão e uma sonhadora convicta, uso muito mais do que caneta e papel para tentar transformar os meus anseios em realidade. Uso a minha alma. Uso a minha força. Uso a minha voz.

Neste pouco tempo de carreira, já carrego comigo experiências inesquecíveis. De tudo o que fiz até agora, o que mais me deixou fascinada foi a arte de escrever. Com simples reportagens é possível transformar a vida das pessoas. E é com esse tipo de jornalismo que sonho em atuar até o dia que tiver forças para continuar lutando pelos meus ideais.

No entanto, hoje posso ver de maneira muito clara que a vontade de transformar o mundo para melhor não precisa ficar restrita apenas ao Jornalismo. Afinal, para mudar o que está ao nosso redor, é preciso, antes de tudo, mudar a si mesmo. Para isso, é preciso viver um dia de cada vez. Tentar tirar de cada segundo o que de melhor ele pode oferecer.

E, voltando ao Jornalismo, na próxima vez que tiver que responder acerca da profissão direi que antes de tudo é preciso analisar qual o tamanho da sua paixão e do seu sonho. Quando nossas escolhas são baseadas nesses aspectos, as chances de termos tomado a decisão certa são muitas.